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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Donald Davidson

Outra entrada para o Dicionário de AA.

Davidson, Donald (1917-2003)
Filósofo Americano que na segunda metade do sec.XX teve um papel marcante na filosofia contemporânea. Apesar de ter trabalhado em áreas tão diversas como filosofia da mente e psicologia, ética, epistemologia, semântica e teorias da verdade, o seu legado filosófico é considerado particularmente sistemático e exibe um todo coerente raro. Foi especialmente influente na filosofia da mente e da acção.

Duas das teses que defendeu e que marcaram toda uma geração de filósofos são o anomalismo do mental, e a ideia de que uma explicação da acção que apele a crenças e desejos é uma forma de explicação causal.

O anomalismo do mental consiste essencialmente na tese de que o domínio do mental não é regido por leis estritas, leis sem excepções. Isto é, de que não há leis psicofísicas nem psicológicas estritas. Assim Davidson pensa que a psicologia não é uma ciência, seguindo o modelo da física (Davidson afirma que a psicologia é mais como a filosofia de que como a ciência), nem é redutível à física, pois a inexistência de leis psicofísicas impossibilita a existência de leis-ponte, vista por muitos filósofos como uma condição necessária para a redução do mental ao físico.

O argumento oferecido por Davidson para sustentar o anomalismo do mental é complicado e difícil, no entanto podemos dizer duas palavras para dar uma ideia do que se trata. Davidson pensa que a racionalidade e a normatividade são elementos constitutivos do mental. Isto é, são parte integrante da identidade do mental, não podendo haver estados mentais sem que os conceitos de racionalidade e normatividade se apliquem. A normatividade do mental implica certos princípios que nos dizem como as coisas devem ser. Como por exemplo, se o Pedro acredita que há ovnis e vida noutras galáxias, então deveria acreditar que há ovnis, e se o José tem boas razões para acreditar em ovnis então deveria (injunção racional) acreditar em ovnis. Contudo estes conceitos não são parte integrante da identidade do físico.
Podemos ver assim a razão do anomalismo do mental: Para Davidson, a existência de leis psicofísicas significaria um estreitamento demasiado forte do mental e do físico, correndo-se o risco de perderem a sua identidade fundamentalmente diferente; que a normatividade do mental se impusesse no mundo físico, ou que o físico levasse ao esbatimento da normatividade do mental.

Para Davidson as razões, i.e., crenças e desejos, são causas. Quando o Pedro bebe um copo de água, o seu desejo por água não só justifica e ilumina o seu comportamento como também causa a sua acção. De acordo com Davidson, a existência de uma relação causal entre razões e acções é a única forma de encontrar a razão que não só justifica a acção, mas também que a explica. Este problema é claro no caso de existirem mais do que uma razão que justifique uma acção mas em que apenas uma levou de facto à acção. Imaginemos que o Pedro para além de ter sede, precisa de tomar um comprimido. O facto de precisar de tomar o comprimido justificaria a acção de beber o copo de água. Assim ambas as razões justificam a acção, mas qual delas explica a acção? Isto é, qual delas leva de facto à acção? Davidson pensa que só há uma resposta satisfatória a esta pergunta, que só há um modo de explicar a acção e que para tal é preciso recorrer à ideia de causalidade. A acção é explicada pela razão que a causou, neste caso, o desejo por água.

Estas ideias são defendidas nos artigos seminais “Mental Events” (1970) e “Actions, Reasons, and Causes”(1963) ambos no livro “Essays on Actions and Events” (Oxford: Clarendon Press, 2001)Ver, ACÇÂO, FILOSOFIA DA ACÇÂO, INTENÇÂO

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Quarto Chinês

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Quarto Chinês (o Argumento do)
O argumento do quarto chinês, avançado por John Searle em 1980 num artigo intitulado “Minds, Brains and Programs”, pretende mostrar que a implementação de um programa de computador não é por si só suficiente para a instanciação, por parte dos computadores, de estados mentais genuínos. Searle ataca assim uma tese que considera central no projecto de investigação que denomina de Inteligência Artificial forte: Que um computador adequadamente programado tem estados cognitivos genuínos. Para refutar esta tese, Searle elabora uma experiência mental com o objectivo de mostrar um computador adequadamente programado a executar o seu programa (a implementar o seu programa) e no entanto não há qualquer cognição relevante.
Imagine-se que existe um programa para falar chinês que o faça tão bem como qualquer falante nativo de chinês e portanto indistinguível destes nesta habilidade (Que passasse então o Teste de Turing para falar chinês). Imagine-se, que um de nós que não saiba falar chinês esta fechado num quarto, onde há caixas com símbolos chineses, um grande livro em português, onde está escrito o programa de computador para falar chinês, e uma entrada no quarto, para os inputs e outputs. Nós, fechados no quarto, estamos a executar o programa de computador; de vez em quando são introduzidos no quarto uma série de símbolos, as perguntas feitas pelos falantes de chinês fora do quarto. Ao recebe-las consultamos o grande livro, o programa, e pegando em outros tantos símbolos, fazemos as respostas chegar lá fora. Para as pessoas fora do quarto, como estamos a implementar o fantástico programa que fala chinês, somos de facto indistinguíveis de um falante nativo, mas nós dentro do quarto não entendemos uma palavra de chinês, e segundo Searle, mesmo de pois de correr o programa, continuamos sem perceber uma palavra. Mas, pergunta-se Searle, se nós dentro do quarto não temos qualquer compreensão de chinês, como pode um computador a implementar o mesmo programa compreender chinês? Afinal não há nada que o computador tenha que eu não tenha; é mais do mesmo, mas mais rápido.
Nas últimas três décadas este foi talvez o argumento filosófico mais debatidos nas ciências cognitivas, visto pôr em causa a teoria computacional da mente e o projecto da inteligência artificial forte.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Teste de Turing

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O teste de Turing, também conhecido por “jogo de imitação”, foi proposto por Alan Turing como um modo concreto de ajuizar se os computadores são inteligentes ou se podem pensar. O teste consiste no seguinte: Um humano, o interrogador, faz perguntas a outro humano e a um computador, sem saber qual é qual (as perguntas são feitas sem os ver, por email ou chat, por exemplo) e tenta com base nas respostas saber qual é o computador e qual é o humano. Se o computador conseguir “enganar” o interrogador, ao fim de um certo número de perguntas e respostas, i.e., se tiver uma conversa com o interrogador que o tornasse indistinguível do humano, então passa o teste.

Para Turing, um computador que passasse o teste um número de vezes e com uma boa taxa de sucesso, não seria uma mera simulação, mas sim seria genuinamente inteligente e teria uma mente. Quando propôs o teste, em 1950, Turing avançou a ideia de que não faltaria muito até que os computadores começassem a ter bons resultados no teste. Até hoje nenhum computador passou de um modo claro o teste de Turing.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Epifenómeno

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Em filosofia da ciência/mente/psicologia, um epifenómeno é algo que não tem poderes causais no que respeita um dado processo, sendo muitas vezes apenas um subproduto do mesmo. Assim o fumo que vemos e o ruído que ouvimos de um comboio em movimento são causados pelo motor do comboio mas não causam eles o movimento do comboio. Se as propriedades mentais forem epifenomenais, então não podem causar as nossas acções.